Águeda 2007
 




 

 


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Como utilizar as caixas de velocidades dos LR.

Mudança da secundária em movimento.

O que aqui escrevo refere-se às caixas dos LR da geração de finais dos anos 80 a meados dos 90. No que diga respeito a experiências concretas, só posso referir como prática real, com uma Defender 110 HCPU, motor 300 TDI. No entanto os restantes carros dessa geração têm comportamentos semelhantes. Os modelos V8 e VM também se comportam aproximadamente da mesma forma. E algumas regras aplicam-se a qualquer veículo de todo o terreno ligeiro clássico.

A caixa de transferências é montada em série com a caixa principal. Por isso também costumam designar-se por secundária e primária respectivamente. As suas relações costumam designar-se por altas/baixas ou longas/curtas.

A embraiagem está colocada entre o motor e a caixa principal.

A caixa de velocidades secundária não é sincronizada. Não pode, portanto, ser usada com o mesmo à-vontade que a primária. Idealmente todas a passagens desta caixa deveriam ser feitas com uma ligeira paragem no ponto neutro durante a qual a embraiagem deveria voltar a transmitir movimento. É costume chamar a esta técnica "duplas", julgo que pelo facto de se fazer uma dupla utilização do pedal de embraiagem. Com prática esta manobra não atrasa muito o movimento, até porque não é necessário levantar totalmente o pé. O acerto da rotação do motor deve estar quase feito quando se iniciar a segunda parte do movimento do manípulo. Creio ser evidente que, se a caixa primária estiver em neutro, o efeito de toda esta trabalheira é quase nulo. É perfeitamente possível fazer uma passagem com o motor parado ou com a caixa primária em neutro. No entanto a utilização de "duplas" facilita o engate.

Não é recomendada a passagem de longas para curtas com o veículo em movimento. Embora seja possível, o controlo necessário é muito maior, assim como a correspondente dificuldade. A utilidade é praticamente nula.

Mas a passagem de baixas para altas tem justificação em diversas situações. Um arranque difícil, em que as baixas sejam úteis, mas em que, ao fim de algum tempo, as altas sejam desejáveis, por exemplo. Além disso pode fazer-se, mesmo sem ser formalmente necessário, apenas porque vamos poder andar mais depressa. Não vale a pena, nessa situação, estar a parar.

Nos LR a relação altas/baixas é de aproximadamente 2/1, normalmente mais. Isso leva a uma correspondência aproximada entre a 3ª baixa e a 1ª alta e entre a 5ª baixa e a 2ª alta.

Dependendo das circunstâncias uma passagem de baixas para altas poderá ser feita com passagem simultânea de 3ª para 2ª, 5ª para 3ª ou de 4ª para 2ª. Nos dois primeiros casos estamos a subir uma relação "alta". É a sequência natural, a usar se houver embalagem suficiente. A escolha depende da velocidade a que vamos, devendo ser usado o primeiro exemplo se o esforço for maior. O terceiro exemplo corresponde à subida de uma relação "baixa", mais útil se a situação for mais complicada. É ainda bastante fácil com um LR de volante à esquerda. Devem ter reparado na minha preferência pela utilização da 2ª como destino. Porque é uma mudança que falha pouco, é rápida de seleccionar e porque a relação para a 3ª também não é demasiado distante. Há mais sequências teoricamente utilizáveis, mas que não creio terem aplicação prática.

Qualquer que seja a gama da caixa primária escolhida a sequência é sempre a mesma: embraiar, secundária para neutro, desembraiar parcial mas significativamente, secundária para altas, primária para destino, desembraiar. Como já referi, a rotação do motor deve estar muito perto do valor final esperado, quando estamos a efectuar a segunda parte do movimento da secundária, podendo ser aproveitado o tempo adicional da engrenagem da primária para um ajuste de pormenor, normalmente uma ligeira subida de rotação.

Nas situações de progressão lenta, quando andaríamos comummente em 1ª e 2ª, com apenas uma ocasional 3ª, a utilização das baixas já é, na minha opinião pessoal, adequada. Ficamos com uma mudança suplementar, a 4ª baixa, o que nos permite ter o motor na rotação adequada em mais situações. Claro que nos faltaria a tal 3ª ocasional, mas a 5ª é aceitavelmente longa. Além disso a 2ª baixa, aquela mudança "mágica" que faz tudo, estará "logo ali". Se quisermos aumentar a velocidade a passagem para altas é natural.

Autor do Artigo: Luís Avelino de Jesus Relógio Guerra Correia.

Fonte: http://www.forum-tt.com

 




 
 
 
 


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