Águeda 2007
 




 

 


NATUREZACTIVA

Condução todo-o-terreno na Lama

Para quem gosta de todo-o-terreno, a condução na lama proporciona um gozo enorme. No entanto, deve ser feita na plena consciência dos perigos que podem ocorrer. É claro que apenas a prática nos dá a experiência adequada para podermos, de improviso, responder aos imprevistos. Mas alguma teoria poderá ajudar a criar alternativas na altura do aperto.

As lamas não são todas iguais e cada uma deve ser enfrentada de maneira diferente.

Preparação

Regra geral, devemos fazer, sempre que possível, um reconhecimento do terreno a pé e tentar antever os perigos visíveis ou escondidos. É o caso de paus ou pedras tapadas pela lama e que podem cortar um pneu, ou de valas fundas onde o jipe pode inesperadamente mergulhar.
Neste caso podemos medir a profundidade com uma vara de madeira ou cana.

Pressão dos Pneus

A pressão dos pneus deverá ser adequada para o tipo de lama esperado. Um pneu com mais pressão fica mais duro e por isso menos vulnerável a cortes. Fica também mais estreito e alto o que proporcionará maior altura ao solo e irá cavar mais a lama o que será adequado para uma lama do tipo mole à superfície e consistente mais a baixo. Neste caso o pneu irá cavar o terreno até ganhar tracção.

Por outro lado, um pneu com menos pressão, fica com um perfil mais arredondado e com maior superfície de borracha em contacto com o solo. Indicado por isso para lama muito remexida e mole. O contra está, obviamente, na menor altura ao solo, o que poderá provocar assentamentos pelo chassis.

Tipo de Pneu

Embora pessoalmente considere que um pneu misto (tipo AT), proporciona muito mais gozo de condução na lama, a verdade é que um pneu com piso para lama (tipo MT ou mesmo um SAT), ajuda muito.

É obvio que nunca se devem enfrentar trilhos com muita lama sem levar a companhia de outros jipes. Em passeios organizados, por exemplo, há sempre alguém que nos ajuda a sair de situações difíceis, por isso, um pneu misto serve perfeitamente.

Além disso, se ficarmos atascados, temos sempre a desculpa de não levarmos pneus adequados
Wink

Se quisermos fazer coisas mais radicais, torna-se quase obrigatório montar pneus de lama, como é o caso dos “Fedima Extreme”, pneu reconstruído com rasto semelhante aos “Yokohama Geolander MT”, que custam menos de metade do preço de um pneu novo.

Diferentes tipos de Lama

Em terreno com poucas irregularidades
De maneira geral, uma extensão de terreno de lama sem grandes inclinações ou outros obstáculos de significativa dificuldade, deve ser passada com uma aceleração regular e com um binário suficientemente alto para que o motor não perca pressão à primeira dificuldade.
Normalmente utiliza-se uma segunda ou terceira velocidade em baixas (4L).

A passagem deve ser sempre feita na mesma mudança, sem recurso a travão ou embraiagem. Uma passagem de caixa durante a travessia de um lamaçal ou qualquer outro obstáculo, dita normalmente um atascanso, uma vez que o carro, devido ao atrito, perde irremediavelmente embalagem.


Em Trilhos com Sulcos
De uma forma geral deve-se evitar meter as rodas nos sulcos feitos por outros carros. Se os sulcos forem fundos, podemos exceder a altura ao solo do jipe e ficar assente pelo chassis. Se os sulcos não forem fundos, ainda assim os pneus dos outros carros podem ter alisado o fundo dos sulcos e os nossos pneus deixam de ter tracção. Se o trilho não for suficientemente largo para passarmos ao lado dos sulcos ou, metendo uma roda de cada lado de um dos sulcos, devemos tentar forçar as rodas a pisar as paredes do sulco procurando terreno mais irregular.

Caso o trilho passe por inclinações laterais, o ideal será tentar meter duas rodas em apenas um dos sulcos, evitando assim o escorregamento lateral.

É normal não conseguir evitar que as rodas traseiras escorreguem para dentro dos sulcos. Quando isto acontece, devemos tentar evitar que o mesmo aconteça as rodas dianteiras. Se ficarmos assentes pelo chassis, teremos então de ser ajudados por outro jipe ou utilizar o guincho ou ainda o Hi-Lift para levantar o carro e “atirá-lo” novamente para fora dos sulcos, evitando desta forma o arrastamento dos diferenciais pelo terreno.

Em Trilhos com Fortes Pendentes
Quando se sobe ou descem terrenos escorregadios, por vezes o jipe ganha "vontade própria" e acaba por escorregar para onde não queremos. Devemos planear um caminho e com determinação atacar o obstáculo.

Se sentirmos o carro a perder tracção devemos tentar ganhá-la novamente, rodando o volante alternadamente para a direita e para a esquerda. Outra técnica por vezes utilizada é a de fazer acelerações irregulares, mas esta alternativa deve ser avaliada em cada caso, porque ao acelerar bruscamente, a roda pode derrapar provocando um efeito contrário ao pretendido.

Em Trilhos Pantanosos
São normalmente os mais difíceis e não devem ser encarados sem uma preparação séria do equipamento. Pneus de tracção, guincho, placas de desatascamento, cintas de reboque, Hi-Lift, pás, enxadas e muita experiência são acessórios fundamentais.

Normalmente a evolução nestes terrenos, faz-se de forma muito lenta e com muito trabalho de equipa. Entra um carro de cada vez no lamaçal e a coluna vai evoluindo puxando-se sistematicamente à força de guincho.

Quando o carro assenta pelo chassis, levanta-se com o Hi-Lift e metem-se por baixo das rodas as placas de desatascamento. Dependendo da situação, a evolução poderá ter de ser concretizada, fazendo uma ponte contínua com as placas de desatascamento ou no caso de se poder ganhar alguma tracção mais à frente, as placas são presas com cintas ao carro para que não se tenha de parar par as ir recuperar.

Em Lama Escondida
Mesmo em pleno deserto é possível encontrar lama por baixo de terreno aparentemente sólido. Da mesma forma é de desconfiar das zonas onde a erva cresce em locais áridos. Onde há erva, há água!
Estes terrenos são de evitar, mesmo porque normalmente há alternativas mais ou menos perto.

Conduta

Nunca é demais lembrar que o abuso de alguns praticantes de todo-o-terreno é normalmente premiado com o abuso da autoridade. Todos temos a responsabilidade de não deixar acabar o todo-o-terreno turístico como aconteceu em alguns países. Para isso é preciso seguir alguns padrões de conduta e ao mesmo tempo, educar e denunciar todos os abusos com que nos deparamos.

Os terrenos por onde por vezes passamos, são também utilizados pelos habitantes locais (agricultores por exemplo).
Depois do período das chuvas, quando a lama seca, ficam as marcas da passagem de jipes. É por isso conveniente não penalizar muito o terreno com a nossa passagem. É sempre de evitar grupos grandes a passar no mesmo local e sobretudo, se não passar...vá à volta!

Autor do Artigo: Paulo Alves

 Fontes: http://www.rituais.com/

 



 
 
 
 


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